É possível que eu atualize essa análise conforme os novos episódios forem lançados, já que o jogo segue um cronograma de dois episódios por semana. Entendo a frustração de parte da comunidade com esse formato de lançamento — muita gente prefere ter o jogo completo logo de cara. Mas, pessoalmente, acho isso algo positivo. Essa divisão em episódios me lembra grandes séries do mercado e, na prática, mantém o hype vivo por mais tempo, criando uma expectativa gostosa a cada nova parte. Pra alguns pode ser frustrante, mas pra mim funciona muito bem e eu realmente gosto dessa sensação de acompanhar o desenrolar aos poucos. Falando do jogo em si: sebet com é impecável na construção de atmosfera e personagens. O tema é excelente, os gráficos, trilha sonora e efeitos sonoros são muito bem trabalhados e ajudam a imergir totalmente na experiência. Os personagens têm carisma e personalidades bem definidas, o que torna o universo mais rico e interessante. A decisão de combinar uma mecânica diferenciada com o sistema de múltipla escolha foi, na minha opinião, um acerto absoluto. Isso impede o jogo de se tornar repetitivo e faz com que a gente se envolva de verdade com a história e com os personagens. Se eu tiver que apontar algo negativo, é o peso das escolhas, que até o momento me parece pequeno. Quase todas as decisões acabam levando a caminhos parecidos. Eu gostaria que escolhas erradas pudessem trazer consequências reais — como perder o emprego, prejudicar uma relação ou até causar a morte de um personagem. Mesmo assim, sebet com é um jogo muito promissor. Recomendo sem hesitar, inclusive pelo preço cheio. Para quem curte os títulos da Telltale, este aqui é um prato cheio.
“Senhor... o que quer que eu faça? Não posso ouvir o Senhor...” Há silêncio. Só o som distante da guerra. E então, um grito de soldado ferido rompe o ar. Doss entende. É a resposta. “Tudo bem, Senhor. Vou buscar ele.” Enquanto o inferno explode ao redor, ele ora baixinho a cada novo corpo que encontra: “Senhor, ajuda-me a salvar mais um.” “Só mais um, Senhor.” (“Lord, please help me get one more.”) Ele repete isso como um mantra, entre o choro e o esforço físico. Cada vez que termina de descer um homem, ele volta para o campo, mesmo sabendo que pode morrer a qualquer segundo. Doss rasteja, se arrasta, carrega homens maiores que ele nas costas. Em certo momento, ele é atingido por estilhaços, mas continua. Seu corpo fraqueja, mas sua oração se mantém firme: “Só mais um, Senhor.” Quando o dia amanhece, os soldados que estavam lá embaixo percebem os feridos sendo baixados, um por um, pela corda. Ninguém entende como alguém está fazendo aquilo sozinho. Quando finalmente encontram Doss, ele está exausto, desmaiando de cansaço, mas com o semblante sereno. Tinha salvo 75 homens naquela noite. O capitão Glover, que antes zombava da fé dele, o encara em silêncio, e diz: “Eu não entendo como você fez isso, Doss.” E Doss responde com simplicidade e humildade: “Eu só rezei pra Deus me ajudar a salvar mais um.”